A inovação, para Edman Aquino, precisa estar ligada à estratégia e gerar resultados concretos para o negócio ou para a experiência das famílias. Gerente de Estratégia e Inovação da Aviva, ele lidera as áreas de Planejamento Estratégico, Gestão de Projetos, Inovação e Inteligência de Mercado.
Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Finanças e Eficiência Empresarial pela FIA Business School, Aquino defende que a tecnologia seja usada como ferramenta, e não como objetivo isolado. Antes de investir em uma iniciativa, a Aviva avalia sua conexão com as teses de inovação, os direcionadores do negócio e a experiência que pretende oferecer.
Como a Aviva escolhe as iniciativas
Esse processo é organizado pelo Desenrola, programa de inovação incremental da empresa, e pelo Desenrola AI, que amplia o uso de inteligência artificial. A participação é descentralizada, com associados de diferentes áreas propondo soluções a partir de desafios reais da operação.
As ideias são testadas antes de ganhar escala. A empresa utiliza ferramentas de decisão e priorização para direcionar recursos a projetos com potencial de melhorar processos, aumentar a eficiência, aperfeiçoar a experiência das famílias ou gerar valor para o negócio. A dinâmica também premia as melhores propostas.
Dados para personalizar a experiência
Segundo Aquino, os dados sustentam as matrizes de critérios e a análise de viabilidade dos projetos. Cada iniciativa é avaliada por diferentes perspectivas, como cliente, processos, produtividade e resultado financeiro. Quando as informações necessárias não estão disponíveis, a empresa busca construí-las antes de iniciar o projeto.
A principal oportunidade identificada no turismo está na personalização em grande escala. A partir do perfil e do consumo individual, a Aviva já oferece produtos por meio de pushes de consumo e direciona clientes para locais e experiências relacionados à jornada nos destinos.
A próxima etapa é ampliar essa aplicação. Com a integração e o refinamento dos dados, a empresa pretende antecipar desejos e personalizar diferentes momentos da estadia.
Inovação como rotina
Na avaliação do executivo, o principal obstáculo à inovação no turismo brasileiro não é a tecnologia nem o capital, mas a falta de recorrência. Para ele, as empresas precisam manter uma prática contínua, capaz de permitir testes, correções e aprendizado em escala controlada.
Na Aviva, o trabalho com inovação existe há mais de 17 anos. A empresa afirma já ter ultrapassado R$ 100 milhões de Ebit gerados em projetos do tipo, além de ter dobrado os índices de satisfação do cliente e melhorado processos e a vida de seus associados.
O Clube de Férias, baseado no modelo de timeshare, é apresentado como exemplo de transformação de uma ideia em negócio. O projeto reúne hoje mais de 33 mil famílias associadas e levou a Aviva à posição de maior player de timeshare da América Latina, com mais de R$ 8 bilhões em vendas acumuladas.
Para Aquino, o desafio não termina no piloto. A inovação precisa ser incorporada à estratégia, evoluir com o tempo e criar condições para gerar valor de forma recorrente.








