A Matueté estruturou uma jornada para se tornar uma Empresa B com foco em transformar princípios de sustentabilidade em processos, indicadores e decisões de gestão. A operadora especializada em viagens pelo Brasil identificou que, para além da intenção de preservar a natureza, a cultura e as comunidades, precisava estabelecer compromissos concretos.
Com apoio de uma consultoria, a empresa começou o trabalho pela BIA (B Impact Assessment), ferramenta do Sistema B que avalia os impactos da organização em diferentes áreas. A análise considerou 74 requisitos. Desse conjunto, 28 foram definidos como mínimos e deram origem a 16 ações práticas.
Entre as medidas estão o levantamento do clima organizacional, a realização de um censo interno, mudanças no processo de recrutamento, a criação de um canal de integridade e a revisão da política de fornecedores. Também foram incluídos temas como sustentabilidade, dupla materialidade, inventário de gases de efeito estufa (GEE) e planejamento climático.
Da intenção à gestão
A empresa afirma que um dos principais aprendizados foi perceber que as iniciativas precisam fazer parte da administração cotidiana. Na prática, isso envolve conhecer a organização e agir a partir dos resultados sobre diversidade, acompanhar as medidas adotadas depois da escuta de stakeholders e incorporar a sustentabilidade às decisões da liderança.
Dois dos projetos considerados mais desafiadores são a dupla materialidade e o plano climático. A primeira permite analisar impactos, riscos e oportunidades para definir prioridades e metas.
O inventário de GEE apontou que o maior impacto da Matueté está no Escopo 3, formado por emissões indiretas ao longo da cadeia de valor. Nesse grupo entram principalmente as viagens dos clientes, incluindo voos, hotéis, traslados e experiências.
A partir desse diagnóstico, o plano climático prevê a redução de emissões, o envolvimento de fornecedores, o mapeamento de riscos nos destinos e o apoio a ações de conservação, restauração e adaptação.
A jornada ainda está em andamento. Para a operadora, parte significativa dos impactos ocorre fora da empresa, nas escolhas oferecidas aos clientes e na cadeia que reúne fornecedores, viajantes, comunidades e destinos. O próximo desafio é aplicar os compromissos em uma rede que a Matueté influencia, mas não controla, considerando as diferentes realidades e buscando gerar mais valor para os destinos onde atua.
Caroline Vaslin, Head da Matueté, tem 18 anos de experiência em gestão de projetos, desenvolvimento de processos e planejamento estratégico, sendo 10 deles dedicados ao turismo. Formada em Engenharia de Produção pela PUC, ela tem mestrado em Gestão Estratégica para Agências de Viagens de Luxo e MBA em ESG.








