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Júri revisita provas e versões sobre morte de advogado em Goiânia
Brasil

Júri revisita provas e versões sobre morte de advogado em Goiânia

Três policiais militares são julgados pela morte de Davi Sebba Ramalho, ocorrida em 2012; família e defesa apresentam versões distintas.

A posição de uma arma dentro do carro e o resultado negativo para resíduos de pólvora estão entre os pontos analisados no julgamento de três policiais militares acusados da morte do advogado Davi Sebba Ramalho. O júri começou nesta quinta-feira, 1º, e continua nesta sexta-feira, 2, em Goiânia.

Ednailton Pereira de Souza, Luiz Frederico de Oliveira e Jonathas Atenevir Jordão respondem por homicídio. Davi tinha 38 anos e foi baleado dentro do próprio veículo em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado na região da Avenida T-9. Depois dos disparos, o carro bateu em uma pilastra de sustentação.

Arma e perícia no centro dos depoimentos

O advogado e professor universitário Flávio César Santana contou que esteve no supermercado durante a perícia. Segundo ele, um perito retirou do veículo uma arma semelhante a um revólver calibre .38 e a apresentou a jornalistas. A informação dada no local era de que o objeto estava no banco do passageiro.

Flávio relatou que uma pessoa questionou como a arma poderia ter permanecido sobre o banco depois do impacto. Conforme o depoimento, o perito respondeu que a questão seria examinada posteriormente.

O delegado da Polícia Federal Bruno Pereira Pinto Gama também falou sobre o armamento. De acordo com ele, os laudos indicavam que outros objetos haviam mudado de posição dentro do carro, enquanto a arma permanecera em um ponto considerado incompatível com a dinâmica observada.

Bruno disse ainda que o exame residuográfico feito nas mãos de Davi não apontou resíduos de pólvora. A defesa e a acusação discutiram a possibilidade de resultados falso-negativos e as limitações desse tipo de análise. O delegado afirmou também que não foram encontrados sinais papilares da vítima em determinados objetos avaliados.

Imagens e droga encontrada depois

O delegado afirmou que assumiu a condução do inquérito quando ainda havia diligências pendentes. Entre as medidas adotadas estavam novos depoimentos, pedidos ao supermercado, tentativa de obter imagens das câmeras, análise de laudos e reprodução simulada dos fatos.

Segundo Bruno, o estabelecimento tinha várias câmeras, inclusive no estacionamento. Uma testemunha informou que havia quatro equipamentos naquela área e que uma câmera com possível visão direta do local estaria queimada. Mesmo após autorização judicial, foram entregues apenas imagens das entradas e das cancelas.

O delegado declarou que as gravações disponíveis apresentavam divergências em relação a versões dadas por investigados. Durante o depoimento, ele não detalhou todos os pontos, mas confirmou que a análise não coincidia com uma das versões apresentadas na investigação.

Também foi discutida a localização de maconha no entorno do supermercado. Segundo Bruno, nenhuma droga foi achada no estacionamento no dia da morte. Uma porção foi encontrada três dias depois, no domingo, por um funcionário, em uma área de pasto próxima ao estabelecimento. A polícia fez diligências para verificar a origem da substância e eventual relação com a hipótese de uma negociação de drogas envolvendo Davi.

Na época do crime, a Polícia Militar informou que os agentes tinham recebido uma informação de que o advogado iria ao estacionamento encontrar um comprador de drogas. A origem desse informe também foi examinada no júri. Bruno afirmou que havia relatórios da Polícia Federal sobre uma investigação relacionada a Davi e que os dados teriam sido repassados à Polícia Militar. Sobre uma autorização formal de delegado, disse se lembrar de uma ordem verbal.

Família espera responsabilização

Pedro Ivo, irmão de Davi, acompanhou o primeiro dia do julgamento. Ele afirmou que a realização do júri era aguardada pela família desde a morte do advogado. Gabriel Davi, filho da vítima, nasceu na mesma noite em que o pai morreu e hoje tem 14 anos.

Segundo Pedro, o trauma afetou o desenvolvimento do sobrinho, que levou anos para começar a falar as primeiras palavras. Ele afirmou que a família foi desestruturada e que a perda deixou marcas na viúva, no filho, nos pais, nos irmãos, nos amigos e nos colegas advogados de Davi.

O irmão disse que os acusados devem ter direito à defesa, mas declarou esperar uma condenação. A afirmação de que Davi foi “sumariamente executado” é uma avaliação feita por Pedro sobre o crime.

Familiares dos policiais acompanham o julgamento defendendo a inocência dos réus. Isadora Jordão, esposa de Jonathas Atenevir Jordão, afirmou esperar a absolvição do marido. Segundo ela, ele havia saído de casa para trabalhar e cumprir o serviço na Polícia Militar.

Decisões judiciais levaram ao júri

A situação processual dos acusados mudou durante os anos de tramitação. Em 2017, Jonathas foi pronunciado por homicídio simples, enquanto Ednailton e Luiz Frederico foram impronunciados em relação ao homicídio.

A acusação recorreu dessa decisão. Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás determinou a inclusão da qualificadora de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. Naquele período, a 1ª Câmara Criminal do TJGO também analisou recursos ligados ao caso e à possibilidade de Davi ter sido morto sem chance de defesa.

Uma decisão de 2023 determinou que os três policiais fossem submetidos ao Tribunal do Júri. Assim, o processo iniciado em 2012 voltou a reunir os acusados diante dos jurados.

A palavra final caberá ao Conselho de Sentença, formado pelos jurados que participam do julgamento. A família sustenta que Davi não teve possibilidade de defesa, enquanto os acusados e seus parentes defendem a inocência dos policiais.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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