MINAS GERAIS — O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) quer que o transporte de cargas no estado deixe de depender principalmente dos caminhões. Em uma agenda estratégica destinada a candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições deste ano, a entidade defende a combinação entre rodovias, ferrovias, centros de distribuição e hubs logísticos.
A proposta parte de uma avaliação do vice-presidente do Setcemg, Adalcir Ribeiro Lopes. Segundo ele, a operação rodoviária chegou ao limite e não conseguiria, sozinha, acompanhar o crescimento da produção mineral e do agronegócio. A alternativa apresentada é um planejamento de longo prazo, com diferentes modais atuando de forma conectada.
A entidade aponta a reativação de ferrovias e a implantação de novas linhas como medidas centrais. O foco inclui as shortlines, ramais de curta distância que permitiriam aos caminhões continuar responsáveis pelas etapas finais, com retirada e entrega de cargas em centros de distribuição e hubs logísticos.
Lopes cita possibilidades de conexão para diferentes regiões. O Triângulo Mineiro poderia ser ligado aos portos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Já o Norte de Minas teria alternativas de conexão ferroviária com o Sul da Bahia e o Espírito Santo. Para a produção de café do Sul de Minas, a sugestão é usar Lavras como ponto de ligação com o Porto de Santos e o Porto do Rio de Janeiro.
Em Igarapé, uma shortline de praticamente 20 quilômetros poderia atender Brumadinho, Igarapé e Sarzedo. “O caminhão passa a operar nas pontas”, resume Lopes ao explicar a divisão de tarefas entre os modais.
Medidas defendidas
A agenda também inclui a execução do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, a expansão das concessões rodoviárias com metas de investimento, a duplicação de trechos críticos e um sistema estruturado de manutenção para estradas vicinais.
Para viabilizar o uso compartilhado das ferrovias, o Setcemg defende que outras composições possam circular em trechos administrados por concessionárias. O documento cita a linha para o Rio de Janeiro, operada pela VLI, e propõe um acordo mediado pelo governo, por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres, para assegurar regras aos investidores e o direito de passagem.







