O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a política monetária restritiva já apresenta efeitos sobre a atividade econômica. Na avaliação dele, o desaquecimento ocorre conforme o esperado, mas a análise exige cautela diante das incertezas e dos efeitos acumulados dos últimos quatro choques de oferta.
A declaração foi dada na primeira manifestação pública de Galípolo após o corte da taxa básica de juros para 13,75%. Ele disse que o processo de desaceleração é gradual, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente, a renda está na máxima e o crédito cresce em ritmo menor.
“A política monetária funciona. Leva tempo e demanda a persistir naquele processo”, afirmou o presidente do Banco Central. Para ele, a autoridade monetária precisa continuar vigilante e manter os juros em patamar restritivo, sem reagir de forma exagerada aos dados.
PIB e inflação
Paulo Picchetti, diretor interino de política econômica do Banco Central, afirmou que a perda de ritmo da economia ficou mais clara após a divulgação do Produto Interno Bruto do segundo trimestre. O PIB cresceu 0,5 no período, em comparação com o trimestre anterior.
Picchetti também avaliou que os modelos usados por bancos centrais e pelo mercado financeiro são ferramentas necessárias, mas têm limitações. “O modelo é uma das muitas dimensões que levamos em conta ao decidir a política monetária”, disse.
A inflação cheia e a média dos núcleos ficaram abaixo do limite superior da meta após um alívio considerado temporário. Para os últimos meses de 2026, o Banco Central espera pressão sobre os alimentos por causa da sazonalidade e dos impactos do El Niño, principalmente nos produtos in natura.
O cenário para os combustíveis dependerá das cotações internacionais do petróleo e de seus derivados, além de medidas domésticas para mitigar a alta dos preços ao consumidor.
O BC projeta IPCA de 0,65% em setembro, 0,29% em outubro, 0,41% em novembro e 0,68% em dezembro. No acumulado de 12 meses, as estimativas são de 4,40% em setembro, 4,61% em outubro, 4,85% em novembro e 5,21% em dezembro. A inflação deve ficar próxima de 4,5% no segundo trimestre de 2027, recuar para 3,9% no fim do próximo ano e chegar a 3,1 em 2028.







