O dólar à vista fechou esta segunda-feira em alta de 0,85%, cotado a R$ 5,2251. A moeda chegou a recuar até R$ 5,1915, mas atingiu a máxima de R$ 5,2266 ao longo do pregão. O euro comercial também subiu, com valorização de 0,60%, a R$ 5,9395.
O movimento acompanhou a piora do sentimento nos mercados internacionais. A rejeição de Donald Trump a um acordo de cessar-fogo com o Irã aumentou a aversão a risco e pressionou os títulos americanos e os preços do petróleo. O real chegou a se beneficiar da alta da commodity, mas o cenário eleitoral brasileiro limitou esse efeito.
Operadores de câmbio associaram a valorização do dólar ao aumento do risco geopolítico e à pressão na curva de juros dos Estados Unidos. O fim do mês e do trimestre também contribuiu para uma pressão cambial sazonal. Uma volatilidade maior era esperada até quarta-feira.
A pesquisa Quaest, com números levemente mais favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também pode ter influenciado os ativos locais. A avaliação de agentes de mercado é que uma eventual derrota do atual presidente poderia alterar a condução da dívida pública brasileira. Com o fortalecimento de Lula na disputa, aumentaria o prêmio de risco dos ativos, segundo essa leitura.
Para Kiran Kowshik, estrategista global de moedas do banco suíço Lombard Odier, o câmbio brasileiro pode se aproximar do nível de equilíbrio de R$ 4,50 caso as eleições e um cenário favorável para as operações de carry contribuam para isso. “O ambiente global é favorável para o ‘carry’”, afirmou.
Kowshik disse que o banco vê o mundo no meio de um ciclo de crescimento, e não no fim dele. Na avaliação do estrategista, esse ambiente historicamente favorece operações de carry, mercados emergentes e moedas com esse perfil. O real, além dos pesos colombiano e mexicano, está entre as divisas acompanhadas pelo Lombard Odier.
O executivo também citou o fluxo de capital para o Brasil, tanto por investimentos em portfólio quanto pelo comércio exterior. Segundo ele, os termos de troca do país estão favoráveis com a guerra no Irã, enquanto os fluxos de portfólio aumentaram significativamente no primeiro semestre deste ano, especialmente no mercado de ações. Para Kowshik, investidores veem o Brasil como um hedge natural contra as tensões no Oriente Médio.
No exterior, perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar diante de uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,24%, aos 101,214 pontos.







