SÃO PAULO — Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e dono do grupo Entrepay, foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (24). A investigação apura estruturas de lavagem de capitais usadas na compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Freixo também foi investigado na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes relacionadas ao Banco Master. No início deste mês, ele fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O empresário teria repassado dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O dono da Entrepay ainda é citado em uma investigação da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) sobre manipulação de preços de ativos. Conforme as investigações, o esquema teria sido liderado por Vorcaro.
Trajetória empresarial
Freixo começou a carreira como office-boy de uma agência do Banco Nacional em Santa Rita do Sapucaí, no interior de Minas Gerais. O avô dele havia aberto o primeiro Banco Hipotecário em Pouso Alegre, sua cidade natal. Depois de quase 30 anos no Banco Garantia e no Credit Suisse, Freixo fundou a Entre Investimentos em 2016.
Em 2022, o grupo comprou a Global Payments, operação que deu origem à Entrepay. A empresa recebeu licença de instituição de pagamento do Banco Central em 2024. Com foco na antecipação de recebíveis, o grupo comprou outros negócios e criou o chamado ecossistema Entre.
A Entrepay firmou parcerias na área de adquirência com o Banco da Amazônia, o Banco do Estado do Pará (Banpará) e o Banco do Nordeste (BNB). A Entre Investimentos, controladora da EntrePay, também comprou o portal da Editora Três em leilão judicial, em julho de 2022, por R$ 15 milhões. Em 2023, adquiriu a Pmovil por US$ 3,5 milhões.
Em março deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento, da Acqio Adquirência e da Octa Sociedade de Crédito Direto, integrantes do conglomerado Entrepay. A medida foi atribuída ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder, a infrações às normas do setor e a prejuízos que colocavam credores em risco anormal.
Investigação sobre combustíveis
A primeira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada pela Polícia Federal em agosto do ano passado, com participação do Ministério Público, de polícias, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Receita Federal e de fiscos estaduais. A apuração atingiu uma cadeia de fraudes e sonegação envolvendo postos, distribuidoras, usinas de etanol e importação de combustível.
Segundo o Ministério Público informou à época, o grupo investigado tinha ligações com integrantes do PCC e usava uma empresa do setor financeiro para ocultar e lavar recursos. A segunda etapa, chamada Operação Fluxo Oculto, ocorreu em maio deste ano e investigou a compra de nafta.
A terceira fase, denominada Operação Crédito Oculto, busca esclarecer como estruturas complexas de lavagem de capitais foram usadas para adquirir uma grande distribuidora de combustíveis. De acordo com a Receita Federal, a organização criminosa teria sobreposto estruturas para ocultar primeiro o controle de uma empresa sucroalcooleira e depois comprar a distribuidora. A defesa de Freixo não comentou.







