POÇOS DE CALDAS — A mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou a compra da também australiana Meteoric Resources, dona de um projeto de terras raras em fase pré-operacional em Poços de Caldas. O negócio foi avaliado em R$ 3,4 bilhões e prevê a aquisição de 100% das ações da Meteoric.
O acordo vinculante foi divulgado nesta quarta-feira (30). A operação será realizada por meio de troca de ações: cada acionista da Meteoric receberá 0,0207 nova ação da Lynas por papel detido. O valor corresponde a cerca de US$ 672 milhões, considerando o câmbio atual.
O projeto brasileiro tem início das operações previsto para 2028. A iniciativa concluiu recentemente o estudo de viabilidade definitivo (DFS), que confirmou a necessidade de US$ 498 milhões em investimentos para sua implantação.
A Lynas mantém operações na Austrália e na Malásia e é atualmente a única produtora comercial, fora da China, de separação de óxidos de terras raras leves e pesadas. No comunicado sobre a transação, as empresas informaram que a companhia australiana pretende avaliar o potencial de desenvolver atividades de separação de terras raras no Brasil.
Análise pela política de minerais críticos
A aquisição ocorre no mesmo mês em que foi concluída a compra da Mineração Serra Verde pela americana USA Rare Earths. A empresa é a única mineradora de terras raras em operação comercial no Brasil.
A nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNME) criou um conselho ligado à Presidência da República, responsável por homologar operações consideradas sensíveis à soberania nacional. Ainda não está definido se o negócio entre Meteoric e Lynas precisará ser analisado pelo colegiado, que tem até dezembro para ser formalmente instalado.
As empresas afirmaram que mantiveram diálogo com representantes do governo brasileiro para discutir os benefícios da fusão. “A interlocução ocorre em observância ao novo marco estabelecido pela Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos”, disseram no comunicado.







