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Mangels reduz operação em Três Corações após salto nas importações de botijões
Câmbio e custos

Mangels reduz operação em Três Corações após salto nas importações de botijões

Empresa diz que compras externas, principalmente da China, pressionam vendas, produção e empregos; Sindigás defende tarifa zero temporária.

A entrada de botijões de gás no país mudou o cenário da Mangels, que passou a operar com apenas um turno em sua unidade na cidade. A fabricante afirma que as importações, principalmente da China, já reduziram o ritmo de produção e levaram ao corte de cerca de 150 postos entre funcionários, temporários e terceiros.

A empresa, que tem sede em Três Corações e responde por cerca de 30% do mercado nacional de botijões, também avalia diminuir novamente a operação. O CEO Ivan Ciruelos afirmou que as vendas podem cair 75% entre setembro e o fim do ano.

Importações avançam no mercado brasileiro

A Mangels informou que as distribuidoras compraram no exterior cerca de 515 mil botijões de GLP de 13 kg no primeiro semestre deste ano. Mais de 90% vieram da China. Até agosto, o total importado chegou a 937 mil unidades e, considerando o decorrer de setembro, a estimativa da empresa é que o volume tenha ultrapassado 1 milhão.

Esse número equivale a cerca de um terço da demanda nacional, calculada em 3 milhões de botijões novos por ano. No ano passado, o Brasil havia importado cerca de 29 mil unidades.

O crescimento das compras externas ocorreu após a criação, há um ano, do programa Gás do Povo, que passou a beneficiar cerca de 15 milhões de famílias. A iniciativa estimulou a migração do uso da lenha para o gás e aumentou a demanda por recipientes.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Três Corações, Gustavo Franco, as fabricantes identificam um desequilíbrio comercial em relação às distribuidoras. A avaliação da Mangels é que a diferença entre as tarifas do aço e do botijão prejudica a indústria nacional.

Empresa pede mudança na tarifa

O imposto de importação sobre o aço foi elevado para 25% em abril de 2024. Já a tarifa aplicada ao botijão acabado permanece em 12,6%, conforme explicou o secretário. Como o recipiente é composto majoritariamente por aço, a Mangels defende que a alíquota do produto também suba para 25%.

A companhia levou a discussão ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), ao Ministério do Planejamento e à Casa Civil. A empresa afirma ter recebido apoio de siderúrgicas, fabricantes de tintas e válvulas e do Sindicato dos Metalúrgicos de Três Corações.

Ciruelos disse que a Mangels está usando somente 25% de sua capacidade produtiva. Antes da redução, a unidade funcionava por 16 horas diárias. A operação passou de dois turnos para um em agosto, e a possibilidade de trabalhar em meio turno está em avaliação.

A empresa calcula que os cortes possam chegar a 300 pessoas até o final do mês de outubro. Para tentar preservar parte dos profissionais, a Mangels considera remanejá-los para a unidade de fundição de alumínio localizada ao lado.

Segundo Gustavo Franco, a empresa emprega atualmente mais de 2 mil pessoas e representa aproximadamente 12% das carteiras assinadas de Três Corações. O secretário estima que o impacto possa alcançar cerca de 600 colaboradores se não houver mudança no cenário. Ciruelos informou que a companhia tem 2,2 mil funcionários na cidade.

Sindigás apoia tarifa zero temporária

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) defende que a tarifa de importação dos recipientes seja zerada de forma complementar e temporária. Para a entidade, a medida ajudaria a ampliar rapidamente a quantidade de botijões disponível e atender ao aumento da demanda ligado ao Gás do Povo.

O sindicato afirma que a importação complementa, e não substitui, a produção brasileira, que continua sendo procurada pelas distribuidoras. A entidade acompanha as discussões na Camex e defende que a decisão considere o abastecimento, as necessidades do mercado e a ampliação do acesso ao GLP.

A definição da tarifa continua em análise técnica no Mdic e na Camex, segundo Ciruelos. A Mangels considera que a redução para zero ampliaria a diferença de custos entre os produtos nacional e importado. A empresa também sustenta que tem capacidade ociosa para elevar a fabricação, desde que exista planejamento e previsibilidade de demanda.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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