A abertura do mercado livre de energia para milhões de consumidores se aproxima em meio a uma redução dos descontos oferecidos pelas comercializadoras. A economia, que há três anos podia alcançar 40% em comparação com o mercado regulado, hoje está abaixo de 10%, segundo executivos do setor.
O movimento ocorre enquanto empresas se preparam para novas etapas de liberalização. Em novembro de 2027, hospitais, escolas e outros estabelecimentos ligados em baixa tensão poderão migrar, somando cerca de 6 milhões de consumidores. No ano seguinte, em novembro de 2028, os 90 milhões de consumidores do país, incluindo residências, poderão escolher o fornecedor de energia. A adesão continuará opcional, e será possível permanecer com a distribuidora local.
Contratos mais caros
Maikon Del Ré Perin, especialista em risco e inteligência de mercado da Ludfor, afirmou que os contratos para 2027 estão em outro patamar de preço. “Lá em 2023 a gente conseguia fazer contratos de R$100 a R$150 o megawatt-hora. Hoje, para 2027, ele gira em torno da faixa de R$300”, disse.
Para o mesmo período, Perin estima descontos entre 5% e 10% diante do mercado regulado, contra 40% registrados alguns anos atrás. Esse quadro ainda pode melhorar caso as chuvas favoreçam a geração hidrelétrica, já que a hidrologia influencia os preços da energia no país.
A alta começou desde 2025, principalmente após mudanças nos modelos de precificação, que deixaram o sistema brasileiro mais avesso a risco. O fim de um desconto para energias renováveis no uso das redes também elevou os custos dessas fontes e afetou os valores de novos contratos entre comercializadoras e consumidores.
Empresas reduzem ritmo de expansão
O segmento varejista, formado por pequenas e médias empresas, acelerou após a retirada, em 2024, de barreiras à entrada no mercado livre. Como parte do público potencial já foi alcançada, as migrações caíram 34% de janeiro a julho deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Matrix e Echoenergia estão priorizando a manutenção da carteira de clientes, em vez de buscar expansão neste ano. Liu Aquino, CEO da Echoenergia, disse que o custo para conquistar consumidores é alto enquanto a margem de desconto diminuiu. “O custo de aquisição do cliente é relativamente alto e agora o desconto que você consegue dar para esse cliente é pequeno”, afirmou.
A Matrix, que tem a terceira maior carteira entre as comercializadoras varejistas do país, estabilizou as operações diante dos preços e do aumento da inadimplência, de acordo com Alexandre Gomes, vice-presidente comercial. A companhia, porém, mantém o varejo como prioridade e avalia soluções agregadas, como baterias para supermercados.
Hoje, o varejo elétrico reúne cerca de 50 mil unidades consumidoras e representa uma parcela pequena do mercado livre, que também inclui grandes consumidores industriais. As empresas ainda esperam crescimento, mas agentes do setor evitam estimar a velocidade das migrações a partir de 2027 por causa do grau de incerteza.







