As distribuidoras de energia elétrica preveem investir cerca de R$ 260 bilhões entre 2026 e 2030, valor 31% maior que os R$ 198,1 bilhões aplicados de 2015 a 2024. A estimativa é da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).
O volume inclui recursos para expansão, automação e modernização das redes. A necessidade aumentou com a ocorrência de eventos climáticos extremos, a geração distribuída, o armazenamento de energia, os veículos elétricos e a chegada de novas cargas, como data centers e processos industriais eletrificados.
Rede mais digital e flexível
Somente em 2026, os aportes previstos chegam a R$ 49,18 bilhões. A infraestrutura, antes estruturada principalmente para levar energia de grandes usinas a consumidores, precisa operar também com geração em telhados, baterias e usuários que injetam eletricidade no sistema.
Para Patricia Audi, presidente da Abradee, a distribuidora passa a atuar como gestora da infraestrutura que conecta consumidores e diferentes fontes de geração.
A Neoenergia estima investir R$ 50 bilhões em suas cinco distribuidoras entre 2026 e 2030, alta de 82% em relação ao ciclo anterior. A CPFL Energia prevê R$ 25,3 bilhões no segmento durante o mesmo período. A Energisa calcula R$ 6,5 bilhões apenas para 2026.
Na Neoenergia, 80% das redes de alta e média tensão já estão digitalizadas. A empresa pretende alcançar 90% até 2030. Do total previsto para suas distribuidoras, 46% serão destinados à expansão das redes e 40% à modernização, digitalização e melhoria da infraestrutura.
A CPFL já instalou mais de 400 mil medidores inteligentes e estabeleceu a meta de chegar a 2,7 milhões até 2030. Os equipamentos permitem identificar interrupções e anomalias em tempo real e apoiam a preparação para o mercado livre.
Abertura do mercado e resposta a temporais
A partir de 2027, clientes comerciais e industriais de baixa tensão poderão escolher de quem comprar energia. Em 2028, a possibilidade chegará aos consumidores residenciais. As distribuidoras continuarão responsáveis pela rede e pela entrega física, mas terão de lidar com diferentes comercializadores e processos mais complexos de medição e faturamento.
A Energisa investe cerca de R$ 125 milhões na implantação do sistema ADMS, que deverá alcançar suas nove concessionárias até 2027. A plataforma integra o controle da rede, o atendimento e o despacho das equipes de campo. A empresa também testa, no FlexLab, criado neste ano em Palmas (TO) e Uberlândia (MG), soluções com baterias, tarifas inteligentes e gestão da demanda.
Os eventos climáticos já afetam a operação. Entre setembro de 2022 e setembro de 2024, quase dois milhões de interrupções foram classificadas como decorrentes de situações de emergência climática, conforme levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os apagões duraram, em média, 13,2 horas; em um quarto dos casos, ultrapassaram 16,9 horas.
Em São Paulo, a Enel aumentou os investimentos na concessão de R$ 1,6 bilhão em 2023 para R$ 2,8 bilhões em 2025. A empresa aplicou mais R$ 1,5 bilhão no primeiro semestre de 2026 e deverá chegar a cerca de 14 mil equipamentos de telecontrole até o fim do ano. Também contratou 1,6 mil funcionários próprios no Estado.
Na Neoenergia, cerca de R$ 30 milhões serão destinados em 2026 a soluções e plataformas de inteligência artificial voltadas a eventos extremos. A companhia pretende contratar mais de 2,5 mil técnicos e eletricistas próprios até 2027.
A substituição seletiva de redes aéreas por subterrâneas aparece como alternativa para áreas críticas de São Paulo e Rio de Janeiro. O custo, porém, exige a escolha de trechos em que a frequência e o impacto das interrupções justifiquem o investimento. A preparação inclui ainda o aumento da automação, equipes maiores e o uso de dados meteorológicos para planejar a operação.







