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Varejo reage à restrição das bets, mas investidores mantêm cautela
Câmbio e custos

Varejo reage à restrição das bets, mas investidores mantêm cautela

Ações de Lojas Renner e C&A subiram, enquanto dúvidas sobre a MP e o destino do dinheiro limitaram o avanço do setor.

A possibilidade de consumidores redirecionarem recursos antes usados em apostas para o comércio ajudou as ações de empresas de vestuário nesta segunda-feira. O avanço, porém, ocorreu em um ambiente de cautela diante das dúvidas sobre a transformação da medida provisória (MP 1.394/2026) em lei e do lobby do setor de bets contra a aprovação no Congresso.

No fechamento, as ações ON da Lojas Renner subiram 0,36%, enquanto as ON da C&A avançaram 1,73%. No mesmo pregão, o Ibovespa recuou 0,26%, aos 182.991 pontos.

Para Andreas Ferreira, analista da Mantaro Capital, o vestuário pode receber parte dos valores que deixariam de ser destinados às apostas. Ele afirma que a categoria apareceu entre as despesas mais cortadas por apostadores e que esse tipo de compra pode voltar quando há renda disponível. “Vestuário foi uma das categorias que mais apareceram nas pesquisas como gasto cortado para fazer apostas”, disse.

Ferreira também considera que as financeiras próprias de Lojas Renner e C&A poderiam se beneficiar de uma menor pressão sobre o orçamento dos consumidores. A avaliação é que pessoas menos comprometidas financeiramente tendem a pagar melhor.

O analista, no entanto, pondera que não está claro quanto desse dinheiro chegaria ao varejo. Uma parcela pode ser direcionada ao mercado ilegal de bets, enquanto outra pode ser usada para quitar dívidas ou cobrir despesas essenciais, como compras em supermercados e atacarejos.

Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da Eleven Financial, avalia que os produtos de primeira necessidade seriam os principais beneficiados pela proibição, com impacto especialmente positivo para supermercados. Para ele, itens supérfluos e de consumo discricionário, como roupas, também podem ganhar espaço, mas em um segundo momento.

João Daronco, analista da Suno Research, relaciona a reação mais moderada às incertezas sobre a aprovação definitiva da MP. Ele também cita o desempenho negativo da bolsa local, a alta dos preços do petróleo e as preocupações com a inflação como fatores que pressionaram ações cíclicas domésticas, incluindo as do varejo.

“O cenário externo hoje está mais adverso, principalmente por causa do petróleo”, afirmou Daronco. Segundo ele, os efeitos sobre inflação e juros podem reduzir o consumo, o que limita o desempenho das empresas do setor.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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