Localizado nas ISHO Towers, em Timișoara, na Romênia, o The Collector’s Penthouse foi concebido para que a arquitetura participe da coleção, e não apenas sirva de fundo para objetos. Concluído em 2026, o projeto tem interiores assinados pelo estúdio BIANCOEBIANCA e combina carvalho, nogueira, vidro, metais em tons de bronze, obras de arte e móveis com presença escultórica.
A proposta aparece também na maneira como os ambientes são conectados, separados e enquadrados. Paredes, portas e divisórias deixam de ser elementos apenas funcionais e passam a integrar a composição dos espaços.
Ambientes conectados por transparência
Fundado em 2018 pelos designers Elie Kamel e Timeea Bianca Diosi, o BIANCOEBIANCA atua entre Timișoara e Beirute. O estúdio desenvolve projetos que aproximam arquitetura, arte e design colecionável, trabalhando volumes, proporções, texturas e objetos selecionados.
Na área social, um sofá azul-claro contrasta com as superfícies de madeira. Poltronas e mesas de diferentes períodos e linguagens convivem no mesmo ambiente, enquanto luminárias assumem caráter escultórico e obras ocupam paredes, corredores e áreas de transição.
O home office integrado à sala de estar é delimitado pelos sistemas Shoin, da Lualdi. Desenhado por Dante Bonuccelli, o conjunto reúne painéis fixos e portas de correr de vidro com perfis metálicos delgados. Inspirado nas superfícies móveis das residências tradicionais japonesas, permite dividir o espaço sem interromper a continuidade visual ou a passagem da luz.
No Penthouse, os painéis usam vidro e alumínio em tonalidade bronze e acompanham paredes curvas revestidas em carvalho claro. O escritório ganha uma separação física, mas continua visualmente ligado à sala.
Portas que integram a arquitetura
Na área da adega, o sistema Shoin Pivot combina painéis fixos e portas pivotantes de vidro bronze com perfis metálicos na mesma tonalidade. A separação passa a funcionar também como elemento de exposição.
A proposta da Lualdi é manter a delimitação dos ambientes com uma estrutura leve de alumínio e vidro. Nesse projeto, a porta não aparece apenas como passagem entre dois espaços: sua transparência, proporção, acabamento e relação com a iluminação interferem na percepção do conjunto.
Carvalho e nogueira formam a base material do projeto, em diálogo com metais bronze e superfícies claras. Na circulação, as portas de altura total Rasoline 55s, com acabamento externo em Thermowood, são incorporadas ao desenho das paredes. Na área íntima, a paleta fica mais silenciosa, criando espaço para tecidos, obras de arte e móveis.
Embora seja residencial, o projeto também apresenta soluções aplicáveis à hotelaria contemporânea. Divisórias transparentes ou móveis permitem adaptar ambientes conforme o horário, a ocupação ou a necessidade de privacidade. Arte, mobiliário, iluminação, portas e transições entre materiais podem participar de uma narrativa contínua entre lobby, restaurante, bar, quarto, lounge e áreas de circulação.
O projeto organiza relações entre abertura e fechamento, transparência e privacidade, arte e arquitetura. Com isso, materiais, mobiliário e objetos deixam de atuar de forma isolada e passam a construir uma experiência integrada.
Crédito das fotos: © Raul Jichici. Projeto de interiores: BIANCOEBIANCA. Sistemas de portas e divisórias: Lualdi.








