A lei que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil é considerada ilegal pelo bispo JB Carvalho, fundador e presidente da Comunidade das Nações. A igreja é frequentada pelo senador Flávio Bolsonaro, que foi batizado no local com a esposa, Fernanda Bolsonaro, em 2024.
Carvalho declarou: “A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal.” A posição também aparece no livro A Bomba: A verdade pode ser explosiva, publicado em 2001, no qual o bispo critica a devoção mariana e defende que Nossa Senhora Aparecida deixe de ocupar essa condição no país.
A declaração ocorre em meio à polêmica sobre a possibilidade de mudança do status de Aparecida durante a campanha presidencial. A relação entre Carvalho e a família Bolsonaro inclui participação religiosa, presença pública e circulação de livros do bispo entre integrantes da família.
Relação com a família Bolsonaro
Flávio Bolsonaro e Fernanda foram batizados na Comunidade das Nações em 2024. Em dezembro de 2025, dois dias depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência, o senador escolheu a mesma igreja para fazer sua primeira aparição pública após o anúncio. Ele também é descrito como frequentador assíduo dos cultos da instituição.
A influência de Carvalho aparece ainda em visitas feitas a Jair Bolsonaro. Em novembro de 2025, Flávio levou à Superintendência da Polícia Federal em Brasília o livro Metanoia: A chave está em sua mente. Em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro levou ao ex-presidente a obra A jornada de meninos a homens.
Carvalho também teve proximidade com o governo Jair Bolsonaro. Em setembro de 2021, participou de um grupo de lideranças evangélicas recebido no Palácio do Planalto para tratar da indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal. No ano seguinte, durante um encontro de Bolsonaro com pastores, afirmou esperar que os brasileiros reconhecessem Jair Bolsonaro como “resposta às orações da igreja”.
Em dezembro de 2021, o bispo recebeu uma condecoração da Ordem de Rio Branco, honraria criada em 1963 e destinada a distinguir pessoas, instituições e personalidades por serviços considerados meritórios ao país.
Críticas no livro
O índice de A Bomba: A verdade pode ser explosiva inclui capítulos sobre a chamada Rainha dos Céus, o reavivamento mariano, as aparições e a presença dessa devoção no Brasil. Em uma das passagens, Carvalho escreve que “o feriado de 12 de outubro é ilegal” e defende a mobilização de cristãos para pressionar representantes na Câmara e no Senado.
O livro também convoca leitores a atuar politicamente para que o Brasil deixe de ter Aparecida como padroeira. Em outros trechos, Carvalho afirma que Aparecida não seria Maria, questiona o papel de Maria como mediadora e intercessora e associa essas devoções a antigas divindades pagãs.
A obra ainda apresenta críticas ao culto à Rainha dos Céus e sustenta que pessoas próximas estariam presas a essa adoração. O conteúdo publicado em 2001, portanto, registra a defesa de uma mudança no reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida, além do questionamento ao feriado de 12 de outubro.








