RIO DE JANEIRO — O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan defendeu nesta segunda-feira (28) que o Brasil adote planos de desenvolvimento e educação com horizonte superior ao mandato de um governo. Para ele, o país precisa analisar iniciativas que não funcionaram e manter políticas por períodos mais longos.
Durante um debate na Casa das Garças, no Rio, Malan afirmou que o Brasil tem pouca prática de revisar os próprios erros ao formular estratégias nacionais. O economista também criticou iniciativas baseadas em voluntarismo que não alcançaram os resultados esperados.
“Quando penso no que a China fez, acho que temos que repensar sobre a importância de uma visão além do governo da hora”, disse Malan. Ele mencionou como referência o planejamento chinês estruturado a partir de ciência e tecnologia.
China e políticas de apoio
Segundo o ex-ministro, no início dos anos 1980, a China recebeu US$ 200 milhões do Banco Mundial, valor equivalente a US$ 750 milhões atualmente, e organizou um plano de longo prazo. Malan classificou o caso como o mais bem-sucedido na exploração de vantagens competitivas, no desenvolvimento e na redução da distância tecnológica em relação a outros países.
Na avaliação dele, o avanço da educação com qualidade e a continuidade do planejamento foram importantes para esse resultado. “Não foi algo que surgiu de repente”, afirmou.
Sem citar nomes, Malan condenou políticas de apoio ao setor naval em 2014. Como exemplos positivos de políticas de apoio, mencionou o ITA e a Embrapa.
As declarações ocorreram no lançamento do livro Imagine Brasil: Transição para a Prosperidade Sustentável e Inclusiva, organizado por professores da Fundação Dom Cabral (FDC). A obra foi organizada por Aldemir Drummond, Paulo Paiva e Viviane Barreto e reúne especialistas de diferentes áreas.
Malan disse que o livro expressa a preocupação da sociedade civil com a situação atual e pediu que as assessorias econômicas dos candidatos que assumirão os próximos governos analisem as propostas apresentadas.







