A inclusão de crianças com deficiência ou neurodivergentes não acontece apenas quando elas estão presentes na escola, em espaços públicos ou em atividades de convivência. Para a fonoaudióloga Juliana Menezes, é preciso garantir condições para que participem, façam escolhas, se comuniquem e desenvolvam autonomia dentro de seus limites.
A presença física, sozinha, não assegura que a criança esteja integrada. “Não basta a criança, ou o jovem, ou o adolescente estar presente no ambiente”, afirma Juliana. Segundo ela, a participação deve fazer parte da rotina, com oportunidades para que a criança decida o que quer e desenvolva habilidades.
Esse processo começa no cotidiano e depende da forma como família e escola lidam com as capacidades individuais. Em vez de fazer todas as tarefas pela criança, os adultos devem permitir que ela tente, participe e receba ajuda quando necessário. A autonomia não significa ausência de supervisão nem a realização de atividades para as quais ela ainda não está preparada.
Apoios devem ser personalizados
As adaptações precisam considerar o perfil e as necessidades de cada criança. Entre os recursos possíveis estão adaptações sensoriais, ferramentas de apoio à escrita e à leitura e sistemas de comunicação aumentativa e alternativa.
Em alguns casos, pode ser criada uma prancha de comunicação para que a criança expresse necessidades, preferências e escolhas. O recurso também pode facilitar a comunicação com a escola, os professores e o ambiente em que ela vive.
Juliana afirma que não existe uma estratégia única para todos os casos. A orientação personalizada ajuda a família a oferecer condições para uma participação mais natural na vida social e escolar.
Superproteção pode limitar descobertas
A especialista também chama atenção para o excesso de proteção. Ao falar, andar ou realizar tarefas pela criança, o adulto pode impedir que ela descubra o que já consegue fazer. Esse comportamento, segundo Juliana, muitas vezes surge da falta de conhecimento e da preocupação em evitar que a criança enfrente dificuldades ou se sinta fora do ambiente.
A recomendação é observar primeiro quais atividades podem ser realizadas com autonomia, quais exigem adaptação e em quais situações é necessária supervisão. O foco deve estar nas habilidades já desenvolvidas, para que elas possam ser ampliadas.
Para definir o suporte adequado, é necessário conhecer a criança e respeitar seu limite de segurança. A autonomia pode aumentar a confiança e ajudar no desenvolvimento do senso crítico sobre aquilo que ela consegue fazer. “É muito personalizado e individualizado”, resume a fonoaudióloga.







