A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) projeta crescimento de 3,2% nas vendas do setor em 2026, acima dos 2,71% acumulados entre janeiro e agosto. Para a entidade, o reajuste do Bolsa Família a partir de outubro pode acelerar o consumo nos últimos meses do ano, embora o alto comprometimento da renda das famílias com dívidas reduza esse impulso.
O benefício médio deve passar de R$ 678,18 em setembro para R$ 777 a partir de outubro. O aumento de R$ 98,82 por família pode direcionar cerca de R$ 49 para as compras de abastecimento da casa, segundo os cálculos da Abras. Em agosto, o programa transferiu R$ 13,06 bilhões para 19,3 milhões de famílias.
Dívidas e desempenho do setor
Dados do Banco Central reunidos pela associação mostram que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 28,7% em julho. O índice subiu 1,4 ponto percentual em 12 meses e atingiu o maior nível para o mês desde pelo menos 2020.
As vendas dos supermercados cresceram 2,69% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025 e avançaram 2,21% ante julho. O resultado mensal ficou abaixo da alta de 3,01% registrada entre junho e julho. Os dados são corrigidos pelo IPCA e incluem todos os formatos de supermercado.
Para Marcio Milan, vice-presidente da Abras, a queda nos preços de alguns alimentos ajudou o orçamento das famílias. A entidade também relaciona o desempenho ao mercado de trabalho e à renda acima da registrada no ano passado. Pela PNAD Contínua, do IBGE, a desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a massa de rendimento real chegou a R$ 385,6 bilhões.
Preços e comportamento do consumidor
O Abrasmercado, cesta acompanhada pela associação com 35 produtos de largo consumo, caiu 0,57% em agosto e ficou em R$ 837,14. Foi a terceira queda mensal consecutiva, mas o indicador acumula alta de 4,60% no ano.
A prévia da inflação de setembro, medida pelo IPCA-15, registrou aumento de 0,40% em alimentação e bebidas, após queda de 0,53% em agosto. Tomate, arroz e carnes tiveram altas de 20,76%, 2,39% e 1,30%, respectivamente. A Abras também aponta o El Niño como risco para produtividade, oferta e abastecimento e acompanha chuvas, safra e preços ao consumidor.
Dados da NielsenIQ reunidos pela associação mostram maior procura por produtos mais baratos. Na cesta de itens básicos, a participação das opções de menor preço passou de 41,4% para 44,7% entre agosto de 2025 e agosto de 2026. No arroz, cujo preço médio é de R$ 4,11 o quilo, essa faixa corresponde a produtos de até R$ 3,29.
Nos perecíveis industrializados, o movimento foi diferente: a participação das linhas mais caras subiu de 23,6% para 25,6% no mesmo período.







