Poços de Caldas, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Fermentação avançada amplia sabores em restaurantes, bares e cafés
Foto: Andre Mortatti/Divulgação
Câmbio e custos

Fermentação avançada amplia sabores em restaurantes, bares e cafés

Técnicas com enzimas, leveduras e tempo aparecem em pratos, bebidas artesanais e cafés especiais; regulamentação ainda limita novos produtos.

A fermentação avançada ganhou espaço em cozinhas profissionais, bares, fábricas artesanais e cafeterias. Além de pães e pizzas de fermentação natural, que já se tornaram comuns, chefs e produtores passaram a usar o processo em vinagres, garuns, molhos, vegetais, cervejas, sidras e cafés.

No Tortuga, filial paulistana do restaurante de Barcelona, o chef Pedro Gonzalez prepara vinagres que levam até quatro meses para ficar prontos e produz garum de frango, condimento associado à Roma Antiga. A stracciatella é servida com goiaba vermelha fermentada, enquanto o tiramisu leva redução de kombucha de café.

Na Casa 201, no Rio de Janeiro, o pato “dry aged” chega à mesa com molho de ostras. O chef João Paulo Frankenfeld explica que as ostras frescas passam por fermentação longa por, no mínimo, dois meses antes de virarem a base do molho. No Terraço Itália, em São Paulo, Moreno Colosimo fermenta limão para usar em um risoto de beterraba, burrata e avelãs.

Cursos, bares e experiências

Fernando Goldenstein Carvalhaes e Leonardo Andrade fundaram a Companhia dos Fermentados em 2016. A empresa começou com kombucha e hoje reúne fábrica, editora especializada e escola, com cursos remotos e presenciais que já receberam cerca de 10 mil alunos.

A dupla também abriu o Fermenta, na Barra Funda, em São Paulo. O bar funciona como showroom dos produtos da empresa. Entre eles está o garum de algas, vendido por R$ 109 o vidro. Andrade define o espaço como uma forma de apresentar os resultados de dez anos de pesquisa.

A Trilha Fermentaria tem quatro unidades na capital paulista e promete inaugurar a quinta ainda neste ano. O sócio Beto Tempel usa leveduras de cerveja em massas de pizza, mostardas, vinagres, picles e amendoim.

O biólogo, fotógrafo e cozinheiro amador Vitor Barão e a educadora Carolina Bortoletto criaram o evento Noites de Fermentação. Até 12 pessoas pagam R$ 190 para provar experimentos com picles, vegetais fermentados com koji e charcutaria. O próximo encontro está marcado para 2 de outubro. Entre 19 e 22 de novembro, a dupla fará uma imersão com hospedagem e refeições em Catuçaba, a 200 km de São Paulo.

Garum, vegetais e cervejas

Na Mirá, em São Paulo, o padeiro Leo Akira transforma borra de café expresso em shoyu, usado na bebida mocha shoyu. O pan tumaca da casa inclui missô de tomate e picles feito com vinagre de tomate.

No restaurante Aiô, Caio Yokota e Victor Vadalão usam repolho fermentado em um caldo de peixe que vira molho. O tartar de peixe é temperado com pimentas jalapeño e sichuan, além de cebola, alho, gengibre e cebolinha. A mistura fica submersa em salmoura por até 20 dias, em pote hermético com válvula para liberar gases.

O garum também aparece no trabalho de Filipe Zalewska, fundador da 1Ami. Com o uso do koji, ele fermenta diferentes alimentos e produz versões vegetarianas com tomate, ervilha, grão-de-bico, abóbora, café e o queijo Tulha, da Fazenda Atalaia. No Tuju, Ivan Ralston usa garum de shitake para curar gemas servidas em um prato de cogumelos porcini.

Nas bebidas, a oferta inclui sidras artesanais e espumantes de frutas. A Companhia dos Fermentados produz os Borbulhantes com bacupari, cacau, caju e acerola.

Rodrigo Jardini, da Yarun Fermentados, trabalha com leveduras selvagens. Ele isolou leveduras de abelhas Jataí e Tubuna e criou a Biomesh, uma Saison com jabuticaba e matchá. A microindústria fica em Cássia dos Coqueiros (SP).

Na Fermentaria Local, em Jarinu (SP), o físico-químico Allan Maple desenvolve bebidas nas quais o perfil da levedura tem papel central. Uma das IPAs parte da fermentação de folhas de pitangueiras e jabuticabeiras que caem no solo depois do período de frutificação.

Fermentação também chega ao café

Entre os cafés especiais, a fermentação é usada para acrescentar novas notas aos grãos. Luiz Paulo Dias Pereira Filho, sócio da Carmo Coffees, em Carmo de Minas (MG), começou a trabalhar com a técnica cerca de 15 anos atrás. No início, os grãos ficavam em contato com o ar por 48 horas, em tanques de alvenaria. Atualmente, ele conduz fermentações anaeróbicas em tanques fechados e adiciona leveduras de outros elementos, como frutas.

Na cafeteria Pato Rei, em São Paulo, 250 gramas de grãos fermentados da variedade Geisha custam R$ 161. A bebida feita com esses grãos sai por R$ 39 na xícara.

A popularização também aparece em atividades abertas ao público. Em 7 de agosto, o Mercado Municipal de Belo Horizonte recebeu uma cozinha-show gratuita com Carolina Dini, do perfil @cebolanamanteiga, durante o 4º Matula Film Festival - Cinema e Comida. Ela ensina técnicas para preparar vinagres artesanais, picles, koso e salmouras. O perfil tem 92 mil seguidores no Instagram.

Regulamentação ainda é desafio

A falta de regulamentação é apontada como o principal obstáculo para que novos fermentados cheguem ao mercado. Carvalhaes participou da elaboração das normas para kombucha do Ministério da Agricultura e Pecuária, em vigor desde 2019, e defende regras para outros produtos.

Ele afirma que a Companhia dos Fermentados já criou uma bebida à base de beterraba, mas não pôde comercializá-la porque o Mapa não autorizou. Um novo grupo de estudos foi formado, com participação da Associação Brasileira das Cervejas Artesanais (Abracerva).

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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