Os fundos de infraestrutura registraram captação líquida negativa de R$ 4 bilhões em setembro, até o dia 21, em uma amostra de cerca de 1,9 mil fundos acompanhada pelo BTG Pactual. O valor corresponde a 1,2% do patrimônio líquido e indica a retomada dos resgates após a desaceleração observada em agosto.
No mês anterior, as retiradas haviam somado R$ 1 bilhão, ou 0,4% do patrimônio. Se o movimento continuar, setembro será o sexto mês seguido de saídas. Desde o início do ano, os resgates nesses fundos alcançam R$ 19 bilhões, equivalentes a 6,4% do patrimônio.
Pressão também nos fundos de crédito
A reversão atingiu ainda os fundos tradicionais de crédito privado. Depois de seis meses consecutivos de saídas, uma amostra de cerca de 550 fundos havia captado R$ 6 bilhões líquidos em agosto. Até 21 de setembro, porém, os resgates já chegavam a R$ 4 bilhões, ou 0,2% do patrimônio.
No acumulado do ano, as retiradas desses fundos somam R$ 89 bilhões, equivalentes a 4,3% do patrimônio. Considerando os últimos 12 meses, o total chega a R$ 121 bilhões.
A retomada dos resgates ocorreu junto com a abertura dos spreads no mercado de debêntures. Nos papéis tradicionais indexados ao CDI, o spread médio do índice IDA-DI, da Anbima, aumentou 5 pontos centesimais entre o fim de agosto e 24 de setembro, chegando a CDI mais 1,40%. Entre os ativos com classificação AAA, a alta foi de 2 pontos.
A análise por classificação de risco apontou desempenho diferente entre os papéis. “Os papéis AAA apresentam fechamento acumulado de 8 pontos centesimais, enquanto os ativos AA+ apresentam abertura de 10 pontos, e aqueles com rating inferior a AA+, de 36”, diz o relatório.
Nas debêntures de infraestrutura, a alta dos spreads foi disseminada. Em setembro, 94% dos ativos que formam o índice IDA-IPCA Infra, também da Anbima, registraram aumento. O prêmio de risco médio subiu 23 pontos no mês, para 59 pontos acima das NTN-Bs, o maior nível em dois anos. Em 2026, o aumento acumulado chegou a 55 pontos.
Preferência por ativos de menor risco
O estoque de instrumentos bancários chegou a R$ 5,5 trilhões no fim de agosto, crescimento de 8,8% no ano. O crédito privado alcançou R$ 2,1 trilhões, com expansão de 6,1%.
Os CDBs avançaram 12,1% no ano, para R$ 3,2 trilhões, enquanto as letras financeiras cresceram 10%, para R$ 1,1 trilhão. LCIs, LCAs e LIGs somavam R$ 1,2 trilhão e ficaram praticamente estáveis em relação ao fim de 2025.
Nos segmentos de alta renda e varejo, a aplicação direta em títulos públicos cresceu 39% no ano até julho, para R$ 366 bilhões. Já a participação de debêntures, CRIs e CRAs caiu de 4,5% do patrimônio em dezembro para 4,2% em julho.
As emissões de crédito privado recuaram 10,4% nos primeiros oito meses do ano, para R$ 372 bilhões. Entre debêntures, CRIs e CRAs incentivados, a queda foi de 28,7%, para R$ 107 bilhões. Em agosto, as debêntures incentivadas movimentaram R$ 1 bilhão, o menor volume dos últimos três anos. Os FIDCs foram exceção, com alta de 41% nas emissões no ano, para R$ 74 bilhões.







