GOIÂNIA — O projeto da Lei Orçamentária Anual de 2027 de Goiânia prevê R$ 1,65 bilhão em investimentos públicos. O valor é mais de 80% superior ao previsto na LOA de 2026 e deverá financiar obras e a ampliação de serviços em áreas como saúde, educação, infraestrutura e mobilidade urbana.
A proposta foi apresentada nesta segunda-feira, 28, pela Prefeitura. Os investimentos devem representar quase 14% do orçamento municipal de 2027. O prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou que o município passou por uma fase de ajuste fiscal e recuperação antes de projetar uma etapa de expansão.
“2025 foi um ano de ajustes fiscais e 2026 estamos em uma fase de recuperação. Mas o ano de 2027 vai ser um período de transformação de Goiânia”, disse Mabel.
Entre janeiro e agosto de 2026, a administração informa ter investido R$ 663,3 milhões. Segundo o balanço apresentado, o montante já supera tudo o que foi aplicado ao longo de 2025.
Saúde, educação e tecnologia
Na saúde, a previsão orçamentária para 2027 é de R$ 2,414 bilhões. Desse total, R$ 2,163 bilhões serão destinados ao custeio e R$ 250 milhões a investimentos. A área deverá receber 18,5% do orçamento municipal, acima do mínimo constitucional de 15%.
Entre os projetos estão uma nova rede municipal de saúde, com Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Mabel também detalhou a intenção de construir, ao mesmo tempo, oito novas UPAs e 32 UBSs. A proposta é ampliar a atenção básica e reduzir a procura por unidades de urgência e emergência.
A educação terá R$ 2,412 bilhões, alta de 6% em relação ao ano anterior. O custeio ficará com R$ 2,011 bilhões, enquanto R$ 400 milhões serão destinados a investimentos.
Ciência e tecnologia terão previsão de R$ 127,975 milhões em 2027, ante R$ 34,717 milhões em 2026. O crescimento calculado é de 268%. O programa “Goiânia + Humana” deverá contar com R$ 50,809 milhões para ações sociais e de cidadania, contra R$ 37,814 milhões em 2026, aumento de 34,3%.
Obras, drenagem e transporte
A infraestrutura terá R$ 509 milhões, além de R$ 500 milhões para macrodrenagem e infraestrutura asfáltica. Uma das metas é reconstruir 500 quilômetros de pavimento em 2027.
Também estão previstas obras de saneamento, urbanismo e paisagismo, novos corredores de mobilidade e a expansão da metronização. No trânsito, o planejamento inclui onda verde, novos semáforos e uso de inteligência artificial.
A Prefeitura pretende iniciar estruturas de contenção de água nas bacias dos córregos Botafogo e Cascavel. Mabel disse que uma intervenção deixou de ser executada em caráter emergencial depois que a administração estimou que esse formato elevaria o custo em cerca de 30%. “Eu acredito que nós vamos investir nesses dois anos perto de R$ 1 bilhão em drenagem”, afirmou.
Para restauração viária e novas sinalizações, a mobilidade urbana terá R$ 152 milhões. O subsídio ao transporte coletivo deverá consumir outros R$ 317 milhões em 2027.
Segurança e orçamento
A segurança pública terá R$ 13,465 milhões em investimentos, alta de 280% sobre 2026. Conforme Mabel, os recursos serão usados na estruturação da Guarda Civil Metropolitana (GCM), com aquisição de veículos e equipamentos e implantação de um centro de comando. A proposta também prevê integrar sistemas municipais de segurança a outras forças policiais.
O projeto mantém em 23% o limite para remanejamentos orçamentários pelo Executivo. A proposta foi classificada pelo secretário municipal da Fazenda, Oldair Marinho, como o orçamento dos investimentos, em razão do controle das despesas correntes nos dois primeiros anos da gestão.
A arrecadação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), criado pela Reforma Tributária, aparece pela primeira vez nas projeções da LOA municipal. A estimativa inicial é de R$ 8 milhões. Marinho explicou que o valor servirá como primeiro teste de recolhimento e distribuição pelo comitê gestor.
O projeto reserva aproximadamente R$ 195 milhões para emendas impositivas dos vereadores. Cada parlamentar deverá ter pouco mais de R$ 5,4 milhões, alta de aproximadamente 8% em relação ao exercício anterior.
O duodécimo da Câmara Municipal seguirá o limite de 4,5% previsto para o Legislativo. O valor nominal deverá aumentar com o crescimento projetado das receitas municipais, mantendo a base prevista no artigo 29-A da Constituição Federal.
A Prefeitura deve encaminhar o projeto à Câmara Municipal até quarta-feira, 30. A expectativa é que a proposta passe por comissões e audiências públicas antes da votação dos vereadores.







